F01
Cogulho
Ramos de folhas ou de flores decoravam espiras, pináculos e outros elementos inclinados. O uso junto a formas verticais era raro.
O Ministério da Cultura e a Secretaria da Cultura do Estado apresentam
A educação patrimonial promove, na coletividade, uma transformação na maneira de ver e tratar os patrimônios.
A sensibilização para valorizar e conservar esses bens, mantendo suas características físicas e, assim, a sua função principal — a história do cidadão e a trajetória da comunidade — transmite o sentimento de pertencimento e viabiliza a preservação e a continuidade desse legado como um produto autêntico da cultura local.
Pela pesquisa, resgata-se a história da Catedral Nossa Senhora da Oliveira e, pela análise petrográfica, comprova-se a classificação da rocha de sua edificação, o que modifica as histórias orais contadas ao longo dos anos.
Faixa 1
Faixa 2
Por volta de 1747, um campeiro que havia queimado o campo encontra, para sua admiração e espanto, uma imagem entalhada em madeira com a inscrição na peanha: “Nossa Senhora da Oliveira”. Ao retornar para casa, ele anuncia seu achado, que é recolhido pelos moradores do lugar ao anoitecer. Ao avistarem a Santa de madeira, prostraram-se de joelhos e rezaram fervorosamente. Após, conduziram-na respeitosamente até a casa, colocando-a em local destacado.
Depois de cearem, reunidos, rezaram o primeiro terço na presença da Santa, elegendo-a padroeira do lugar.
No dia seguinte, os fiéis tomam a decisão de fazer uma capela de paredes de barro e coberta de capim. Improvisando tosco altar, entronizam a bela imagem de madeira, próximo ao local onde a encontraram.
Tudo corria muito bem, com reuniões em torno da Santa para as rezas, até que, em dezembro de 1747, um sacerdote que por ali passava, ao ver tão bela imagem em local tão desprivilegiado, levou-a por duas vezes, por achar que não estava em local digno de sua grandeza.
Por duas vezes, pois cada vez que a levava, ela desaparecia de seus pertences no caminho e reaparecia na capela. Ao constatar que não adiantava levá-la, desistiu, deixando-a em seu nicho dileto.
A origem da imagem de Nossa Senhora da Oliveira e sua veneração estão intimamente ligadas a Portugal e à cidade de Guimarães, naquele país. Segundo Oliveira, um Padre Capuchinho, enquanto era Coadjutor da Paróquia de Vacaria, no RS, dirigiu-se em carta ao Cura do Santuário de Guimarães, em Portugal, onde há vários séculos venera-se a Santa.
Em 1385, Portugal enfrentava uma guerra contra Castela, com o país dividido em quatro facções. O exército castelhano era superior, e D. João I, intimidado, buscava orientação no Santuário de Guimarães, onde prometeu à Virgem Maria que, se vencesse a Batalha de Aljubarrota, construiria o Mosteiro de Santa Maria da Vitória e faria uma romaria ao Santuário. Durante suas preces, pediu um sinal.
Segundo relatos, uma oliveira seca ao lado da Igreja de Guimarães floresceu e exalou um suave perfume, algo incomum para a época. D. João I interpretou o fato como o sinal divino que esperava, inspirando-o e ao seu exército para enfrentar os castelhanos. O evento foi considerado milagroso, atribuído às súplicas do rei.
A notícia do “milagre da Oliveira” espalhou-se, atraindo romarias ao local. Em 14 de agosto de 1385, confiantes na proteção de Nossa Senhora da Oliveira, os soldados de D. João I derrotaram o exército castelhano. Três dias depois, cumpriram a promessa de romaria ao Santuário.
A invocação de Nossa Senhora da Oliveira tornou-se parte da história de Portugal, e o ramo da oliveira, símbolo mundial da paz, foi associado a essa devoção.
Linha do tempo
1900
Em 14 de janeiro de 1900, é realizado o lançamento da Pedra Fundamental da nova igreja.





1903
A igreja é um símbolo que representa o ponto culminante para o sucesso das Missões da Ordem dos Capuchinhos, quando assumiram a paróquia de Vacaria em 1903.
1904
Em 1904, suspenderam-se as obras da Catedral.
Os capuchinhos pensaram que, através de uma igreja com uma arquitetura nunca vista na região, teriam o poder de aprimorar moral e espiritualmente o povo.
Em vista desse projeto é que podemos entender como a igreja se torna o símbolo que representa o sucesso da missão da Ordem na região.
1907
Em 1907, Frei Teófilo encomenda do arquiteto Anton Printzmann, da cidade de Berlim, Alemanha, um projeto de estilo arquitetônico gótico.
1910
Em 1910, Frei Teófilo deixa a paróquia de Vacaria e assume, em seu lugar, Frei Pacífico de Bellevaux, que traz como seu vigário coadjutor Frei Efrem de Bellevaux. É Frei Efrem quem assume a direção e o comando das obras, já paralisadas havia algum tempo. Assim que assume, monta uma equipe técnica formada por construtores e artistas de grande competência para dar continuidade às obras.


1912
Em meados de 1912, recomeçaram os trabalhos de construção da igreja.
Sob as observações de Frei Pacífico de Bellevaux, consertaram, então, as bases da Catedral, decidindo:
A construção foi impactada por dois grandes eventos históricos mundiais: a Primeira Guerra Mundial e a pandemia da gripe espanhola de 1918.
1916
1918
1919
A igreja, construída com uma rocha extraída de vários locais nos arredores de Vacaria e conhecida popularmente como “Pedra Moura”, é de rara e exótica beleza.
Os capuchinhos obtiveram muito sucesso em contar com a colaboração do povo de Vacaria, que participou ativamente na missão de realizar a construção da igreja.
1934
Em 8 de setembro de 1934, a Igreja Nossa Senhora da Oliveira conquistou o título de Catedral, com a criação da prelazia Nossa Senhora da Oliveira, pelo Papa Pio XI, com a bula Dominici gregis dominici, desmembrada do território da Arquidiocese de Porto Alegre.
No final da primeira metade do século XIX, a propagação e a transformação moral da Restauração Gótica domina a história da arquitetura até o início do século XX.

1938
A Catedral Nossa Senhora da Oliveira é um dos mais significativos monumentos do patrimônio histórico local.

1965
A Catedral é um ícone que se mantém como fio condutor da transmissão dos signos e símbolos da evangelização católica pela qual passou a Vacaria do passado.
Buscava-se recriar o clima de cristandade fazendo recordar os tempos da Igreja medieval.
1952A imagem no topo da fachada
Nicolau Chedid, após ter uma graça alcançada, doou a imagem de Nossa Senhora da Oliveira feita por Mário Zambelli, juntamente com o Atelier Zambelli de Caxias do Sul. Foram eles os autores da marcante obra na história da Catedral de Vacaria.
A escultura, de 10,8 toneladas e 5 metros de altura, foi colocada no topo da fachada em 1952.




2010Remoção da imagem
No final de 2010, a imagem teve de ser retirada do alto da Catedral, pois seu peso estava causando rachaduras nas paredes centrais.


Atualmente a imagem encontra-se no lado leste da Catedral, entre a igreja e a casa paroquial.


O tombamento do patrimônio Catedral Nossa Senhora da Oliveira foi realizado no ano de 2024 pela Prefeitura Municipal de Vacaria.
F01
Ramos de folhas ou de flores decoravam espiras, pináculos e outros elementos inclinados. O uso junto a formas verticais era raro.
F02
Massa de pedra ou tijolos construída contra uma parede ou que se projeta dela, de modo a conferir-lhe força extra.
F03
Presente na maioria das construções góticas, frequentemente profundas e preenchidas com grupos de pilares. O arco acima possui moldura que alterna formas arredondadas e entalhadas.
F04
Estrutura piramidal ou cônica alta, que se adelgaça pronunciadamente e que se eleva de uma torre.
F05
Janelas altas e estreitas, muitas vezes em pares ou trios, têm uma ponta no alto, em geral aguda.
F06
Torreta em geral decorativa que fica sobre a agulha, contraforte ou outra parte do edifício.
F07
Pináculo com desenho octogonal no topo de uma torre quadrada. Pode ser de alvenaria ou metal.
F08
Grande janela circular com traceria disposta como se fossem raios de uma roda. Comum em edifícios góticos.
F09
Recesso ou nicho dosselado cuja função é conter uma estátua.
F10
Espaço triangular circundado pela moldura do frontão.
F11
Exibe diversos itens típicos do gótico decorativo, como o pináculo agudo, disposição diagonal dos cantos e uso de muitos entalhes.
F12
Ornamento de pedra trabalhada das janelas, painéis e telas góticos.
F13
Elemento decorado somente com uso de pedras, dispensando vidros.
F14
Três círculos incompletos criam um trevo. Quando em cúspides, são conhecidos como florete.
F15
Popular no gótico decorativo e no gótico perpendicular. Era fortemente usada para adornar arcos e outros elementos.
Análise petrográfica





A rocha conhecida popularmente como “Pedra Moura” é, na verdade, basalto amigdaloidal.
Esta rocha vulcânica foi formada pelo extravasamento de lavas basálticas, solidificadas por brusco resfriamento, evidenciado pela textura muito fina. A matriz equigranular é composta por plagioclásio e piroxênios que cristalizaram simultaneamente.
Os aglomerados de fenocristais de plagioclásio (longitudinais ou em seção basal) são provavelmente formados em um processo um pouco mais longo de cristalização dessa rocha. Os aglomerados de plagioclásio estão quase totalmente substituídos por mica branca e argilominerais.
A magnetita (principal mineral opaco) está disseminada por toda a rocha e a cristalização ocorre por exsolução do ferro, a partir dos piroxênios. A magnetita altera por intemperismo químico para hematita e goethita.
As amígdalas representam gases ricos em elementos voláteis que foram aprisionados nesse processo e cristalizaram relativamente em baixa temperatura, sendo preenchidas secundariamente por sílica e zeólitas, além de material carbonático nas fraturas e vesículas com franjas de argilominerais.
Responsável técnico
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