A Chegada em Vacaria
O povo dessa época vivia no mais completo abandono e ignorância no aspecto religioso. As Missões, pregadas em curto espaço de tempo, pelos Capuchinhos, tiveram um resultado muito bom. Contudo, a falta de padres, o número de paróquias vagas e de fiéis a serem atingidos levaram os Capuchinhos a romper o objetivo inicial – Missões – assumindo paróquias, entre as quais a de Vacaria, que foi a primeira em todo o território gaúcho a ser atendida em um leque de atividades: religião, educação, saúde, assistência social, festejos e meios de comunicação.


Os Freis Capuchinhos preocuparam-se, inclusive, com a educação do povo de Vacaria. Trouxeram, então, as Irmãs de São José de Moûtiers, que fundaram o Colégio São José, em 1903, construíram o Hospital Beneficente Dom Vital de Oliveira, inaugurado em 1932; e o Hospital Nossa Senhora da Oliveira, em 1935.
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Irmãs de São José em Vacaria

No início do século XX, fracassou a primeira tentativa de trazer as Irmãs de São José para Vacaria. Em 1903, quando a paróquia foi confiada aos Padres Capuchinhos, o Vigário Frei Alfredo, juntamente, com Frei Bruno conseguiu ter sucesso no intento.
No dia 26 de abril de 1903, partiram de Garibaldi, as seis religiosas destacadas para Vacaria por Madre Margarida de Jesus: Madre Joana Vitória, Irmãs Luísa, Teodora, Francisca, Ana Teresa e Albina. Iniciaram sua viagem a cavalo, acompanhadas pelo casal Aureliano Siqueira e esposa D. Joaquina Paim de Andrade Siqueira e dois criados; uma dúzia de animais, uns encilhados, outros não; além de duas mulas, com cangalhas e bruacas para o transporte de bagagens. A caravana parava de casa em casa, de rancho em rancho, a fim de que todos tivessem oportunidade de conhecer as “freiras” que iriam abrir uma escola, na Vila Velha.
Os campeiros desconfiados, a princípio, espiando pelas frestas dos casebres aproximavam-se surpresos, cabelos em desalinho, roupa esfarrapada, de mãos juntas dizendo: “a bênção Sinhá”.
A caravana pernoitava em diferentes moradias, saboreando o tradicional churrasco e o indispensável chimarrão. Ao chegar à fazenda do Coronel Avelino Paim, ele mandou um peão carnear a ovelha, e a empregada matar a galinha mais gorda.
No dia seguinte, três de maio, o Coronel ordenou a substituição dos cavalos, já fatigados, por outros seis, todos do mesmo pelo. A dona da casa e as filhas, gentilmente, emprestaram selins e saias para as Irmãs. Assim, as Fundadoras entraram à gaúcha na Vila Velha de Vacaria, após percorrerem 36 quilômetros.
Atraíram a curiosidade dos pacatos moradores, e as autoridades civis apresentaram-lhes as boas-vindas. O povo contente acompanhou-nas até a chácara onde existia uma casa de madeira, coberta com telhas de barro, um poço e uma taipa cercava a área.
Traziam bagagem pouca e paupérrima. Foram introduzidas numa varanda. Nela havia uma mesa com pratos de arroz, feijão e charque. Primeiramente, convidaram as Irmãs para se servirem. Elas provaram um pouco de cada travessa. Após, o pessoal abancou-se e num instante, devoraram tudo.
Quando todos já haviam partido, procuraram por uma capela, mas encontraram apenas dois quartos com três camas, lençóis engomados e colcha branca; nada de cobertores e acolchoados. No dia seguinte, uma geada cobria todo o campo. Para remediar a situação, colocaram sobrepostas as poucas roupas que tinham. Levantaram-se cedo e foram assistir à missa; para chegar à igreja era preciso atravessar o campo, patinar na geada, e enfrentar um vento gelado.
Trataram logo de organizar as aulas e, assim, transformaram o sótão em dormitório e deixaram as duas salas para abrigar as alunas. A Vila Velha não podia oferecer nenhum auxílio às irmãs, pois metade de sua população havia sido dizimada por violentos surtos de varíola, restando apenas quatrocentas almas sobreviventes. Os primeiros anos foram de muito sofrimento, até mesmo fome.
Madre Margarida de Jesus Ruaz, Superiora Provincial, visitando a comunidade, desejava que as religiosas retornassem ao convento de Garibaldi, mas Frei Alfredo solicitou-lhe pedir ajuda ao Divino Espírito Santo, antes de decidir alguma coisa. Madre Margarida orou, fervorosamente e, no dia seguinte, a Provincial solucionou o caso, em favor de Vacaria.
Em 21 de maio, iniciaram as aulas com a matrícula de 40 crianças externas e três internas. O que mais necessitavam era a construção de uma escola, e resolveram fabricar elas próprias os tijolos. Esses eram feitos com argila, colhida no próprio quintal e queimados no mesmo lugar, em fornos construídos também por elas. Todas as irmãs, incluindo a Madre Superiora Joana Vitória, contavam com pouco mais de 20 anos.
Em 1907, chegava a Irmã Louise Amedée que iniciou as aulas de piano e pintura, no Colégio São José. Esse se erguia onde hoje se encontra o Hospital Nossa Senhora da Oliveira.
Em 4 de novembro de 1932, por iniciativa do Frei Pacífico de Bellevaux e do Professor José Fernandes de Oliveira com a colaboração de Associações Católicas, do povo em geral e com atendimento médico do Dr. Homero Ribeiro foi constituída a Sociedade Beneficente “Dom Vital de Oliveira”, com objetivo de prestar auxílio aos indigentes em suas próprias casas.
Essa necessidade de atendimento surgiu devido a uma gripe forte, durante o inverno de 1932. Preocupados com aquele fato, ambos desenvolveram uma meritória campanha, a favor dos enfermos que despertou entre o povo um grande interesse caritativo.
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Reorganizada em 1935, sua primeira diretoria estava assim constituída:





Em 26 de outubro de 1935, foi lançada a pedra fundamental do Pavilhão dos Indigentes, reunindo a Diretoria o aporte financeiro necessário às obras, através de festivais, peditórios, inscrições de legionários e subvenções dos governos Federal, Estadual e Municipal.
A Sociedade São Vicente de Paulo, mantenedora do Hospital Dom Vital de Oliveira, incluiu em sua assistência: consultas, visitas domiciliares, hospitalização, injeções, curativos diversos, exames gerais, operações, partos, aplicações de diatermia e atendimento dentário.
Todos os médicos da cidade prestavam serviços gratuitos e havia um corpo de auxiliares composto por: três internos, um enfermeiro, quatro enfermeiras e quatro religiosas de São José. Contava com duas enfermarias, nove leitos cada uma, e seis quartos com duas camas.
O casal Firmino e Sinharinha Rosa eram os patronos das enfermarias. Ela contribuiu com 11 mil cruzeiros para a construção do prédio, sendo sempre protetora da entidade. Foram seus presidentes honorários o Bispo do Nordeste e o Prefeito Municipal.
O Dr. Homero Ribeiro foi de suma importância na obtenção de recursos, inscrevendo muitos legionários e colaborando com a diretoria nos peditórios.
A Sociedade Vacariense apoiou, tanto moral como materialmente, a ideia da construção do Dom Vital de Oliveira.
A senhora Videlvina F. de Oliveira auxiliada pelas professoras Clotilde P. de Oliveira e Hortência Braga confeccionaram o enxoval necessário ao funcionamento hospitalar; todas trabalhavam gratuitamente. Além das roupas para 30 camas, fizeram também toalhas de rosto e de mesa, guardanapos, peças de vestuário para ambos os sexos; enxovais para recém-nascidos e outros.
Diretoras do Hospital
Nossa Senhora da Oliveira

Madre Maria José

Madre Idalina

Madre Maria Alzira Segalla

Irmã Rosalinda Morgan

Irmã Rosa Maria Zampieri

Irmã Teresa Katafesta

Irmã Oliva Fachin

Irmã Lourdes Maria Zago

Irmã Adelide Canci
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As senhoras ofereceram camas, travesseiros e os conjuntos de utensílios utilizados no serviço geral. A responsável pelo peditório foi a senhorinha Ubaldina Camargo Furtado.
Algumas diretorias foram reeleitas por vários períodos administrativos. No tempo em que presidiu o hospital, o advogado Lídio Oliveira acrescentou outras dependências ao pavilhão, entre elas o anexo para velar os mortos.
A Sociedade São Vicente, entidade de grande valor assistencial, prestou serviços essenciais à pobreza e trabalhou pelo bem do próximo, com altruísmo e desprendimento.
Aos 31 dias de março de 1975, sob a direção do senhor Santo Angelo Zamboni, em Assembleia Geral Extraordinária, decidiu-se pelo encerramento das atividades do Hospital Dom Vital de Oliveira, face às dificuldades financeiras existentes, passando para a Sociedade Caritativo-Literária São José a continuação dos padrões de atendimento, de acordo com os Estatutos Sociais.
Irmãs fundadoras do Hospital Nossa Senhora da Oliveira – 1935
Na década de 1930, uma comissão liderada pelo vigário da paróquia, Frei Pacífico de Bellevaux e Dr. Tauphick Saádi dirigiu-se à Congregação de São José, em Garibaldi, com o objetivo de solicitar à Superiora Provincial, Madre Justina Inês, Irmãs para atender os doentes em Vacaria. Na época, eles eram atendidos numa farmácia da localidade, e se precisassem de cirurgia, a ela se submetiam e retornavam para sua residência, ou ficavam num pequeno hotel existente, onde eram atendidos até se restabelecerem.
A Madre Justina Inês já conhecia a situação local, pois já dirigira o Colégio São José, nos anos de 1906 a 1910. Depois de estudar a proposta, reuniu-se com as Irmãs em Vacaria e resolveu assumir esse grande desafio.
As atividades do Hospital Nossa Senhora da Oliveira iniciaram, oficialmente, em 4 de maio de 1935, num antigo internato da Escola São José. Possuía uma estrutura física que contava com doze quartos privativos, duas enfermarias, uma sala de cirurgia, uma sala de curativos e uma cozinha, sendo no total dezessete peças.
Em Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 31 de março de 1975, a Diretoria finalmente transferiu o seu patrimônio para o HNSO, através de uma escritura pública definitiva de doação, devido às dificuldades enfrentadas na manutenção do Hospital Dom Vital de Oliveira.
Os livros, documentos e papéis pertencentes à extinta doadora ficaram sob a guarda e responsabilidade da sociedade beneficiária, que deveria manter os níveis e padrões de atendimento, na forma dos estatutos sociais e prestar assistência gratuita aos necessitados.
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1957 – 1971



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1972 – 1981
1972 a 1973 – Aquisição de moderno Aparelho de Raio X, e Abreugrafia, construção de outro prolongamento do Hospital na Rua Pinheiro Machado, esquina com a Avenida São José, destinado ao Centro Radiológico.


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1991 – 2008





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2009 – 2014






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2015 – 2020
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2023 – 2025

Créditos
Produção: Juliana Tonini.
Apoiadores: Hospital Nossa Senhora da Oliveira; Direção de Rafael Lisboa Grazziotin; Pesquisadoras: Zilma Maria de Moraes Caieron e Regene Maria Lucchese Mariano da Rocha.
Comunicação Visual: João Pedro Minella.
Assessoria de Produção: Amália Terezinha Borges Cunha.
Fotografias: acervo do HNSO e Ana Elise Paim Roveda.
ASCOM: Aldoir Santos do Canto.
Financiamento: Prefeitura Municipal de Vacaria – Humanizando o presente, construindo o futuro e Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Realização: PNAB – Política Nacional Aldir Blanc; Ministério da Cultura e Governo Federal – União e Reconstrução.
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