O Ministério da Cultura e a Secretaria da Cultura do Estado apresentam

A educação patrimonial promove, na coletividade, uma transformação na maneira de ver e tratar os patrimônios.

 

A sensibilização para valorizar e conservar esses bens, mantendo suas características físicas e, assim, a sua função principal – a história do cidadão e a trajetória da comunidade- transmite o sentimento de pertencimento e viabiliza a preservação e a continuidade desse legado como um produto autêntico da cultura local.

 

Pela pesquisa, resgata-se a história da Catedral Nossa Senhora da Oliveira e pela análise petrográfica, comprova-se a classificação da rocha de sua edificação, o que modifica as histórias orais contadas ao longo dos anos.

A Imagem de Nossa Senhora da Oliveira é encontrada

Por volta de 1747, um campeiro que havia queimado o campo encontra, para sua admiração e espanto, uma imagem entalhada em madeira com a inscrição na peanha: “Nossa Senhora da Oliveira”. Ao retornar para casa, ele anuncia seu achado que é recolhido pelos moradores do lugar ao anoitecer. Ao avistarem a Santa de madeira, prostraram-se de joelhos e rezaram fervorosamente. Após, conduziram-na respeitosamente até a casa, colocando-a em local destacado.

Depois de cearem, reunidos, rezaram o primeiro terço na presença da Santa, elegendo-a padroeira do lugar.

No dia seguinte, os fiéis tomam a decisão de fazer uma capela de paredes de barro e coberta de capim. Improvisando tosco altar, entronizam a bela imagem de madeira, próximo ao local onde a encontraram.

1747 – O Roubo da Santa

Tudo corria muito bem, com reuniões em torno da Santa para as rezas, até que, em dezembro de 1747, um sacerdote que por ali passava, ao ver tão bela imagem, em local tão desprivilegiado, levou-a por duas vezes, por achar que não estava em local digno de sua grandeza.

Por duas vezes, pois, cada vez que a levava, ela desaparecia de seus pertences no caminho e reaparecia na capela. Ao constatar que não adiantava levá-la, desistiu, deixando-a em seu nicho dileto.

Origem da Santa Nossa Senhora da Oliveira

A origem da imagem de Nossa Senhora da Oliveira e sua veneração estão intimamente ligadas a Portugal e à cidade de Guimarães, naquele país. Segundo Oliveira, um Padre Capuchinho, enquanto era Coadjutor da Paróquia de Vacaria, no RS, dirigiu-se em carta ao Cura do Santuário de Guimarães, em Portugal, onde, há vários séculos venera-se a Santa.

O Cura respondeu sua carta narrando os seguintes fatos:

Em 1385, Portugal enfrentava uma guerra contra Castela, com o país dividido em quatro facções. O exército castelhano era superior, e D. João I, intimidado, buscava orientação no Santuário de Guimarães, onde prometeu à Virgem Maria que, se vencesse a Batalha de Aljubarrota, construiria o Mosteiro de Santa Maria da Vitória e faria uma romaria ao Santuário. Durante suas preces, pediu um sinal.

 

Segundo relatos, uma Oliveira seca ao lado da Igreja de Guimarães floresceu e exalou um suave perfume, algo incomum para a época. D. João I interpretou o fato como o sinal divino que esperava, inspirando-o e ao seu exército para enfrentar os castelhanos. O evento foi considerado milagroso, atribuído às súplicas do rei.

A notícia do “milagre da Oliveira” espalhou-se, atraindo romarias ao local. Em 14 de agosto de 1385, confiantes na proteção de Nossa Senhora da Oliveira, os soldados de D. João I derrotaram o exército castelhano. Três dias depois, cumpriram a promessa de romaria ao Santuário.

A invocação de Nossa Senhora da Oliveira tornou-se parte da história de Portugal, e o ramo da Oliveira, símbolo mundial da paz, foi associado a essa devoção.

Equipe do Projeto

Coordenação Geral e Produção Executiva: Juliana Tonini

Comunicação Visual: João Pedro Minella

Historiadores: Isabel Carneiro de Almeida e Rafael Lisboa Graziottin

Acervo fotográfico e consultoria: Adhemar Antônio Martins Pinotti

Arquiteta urbanista, Restauradora especialista em materiais pétreos e mestre em geoquímica: Verônica di Benedetti

Assessoria de Produção: Amália Terezinha Borges Cunha

Fotografias: Ana Elise Paim Roveda

Assessoria de comunicação e Audiodescrição: Aldoir Santos

Correção Ortográfica e Gramatical: Rosângela Verza Subtil

Intérprete de Libras: Susana Pereira dos santos

Linha do Tempo

1900

Em 14 de janeiro de 1900, é realizado o lançamento da Pedra Fundamental da nova igreja.

1903

A igreja é um símbolo que representa o ponto culminante para o sucesso das Missões da Ordem dos Capuchinhos quando assumiram a paróquia de Vacaria em 1903.

1904

Em 1904, suspenderam-se as obras da Catedral.

Os capuchinhos pensaram que, através de uma igreja com uma arquitetura nunca vista na região, teriam o poder de aprimorar, moral e espiritualmente o povo.

Em vista desse projeto é que podemos entender como a igreja se torna o símbolo que representa o sucesso da missão da Ordem na região.

1907

Em 1907, Frei Teófilo encomenda do arquiteto Anton Printzmann, da cidade de Berlim, Alemanha, um projeto de estilo arquitetônico gótico.

1910

Em 1910, Frei Teófilo deixa a paróquia de Vacaria e assume, em seu lugar, Frei Pacífico de Bellevaux, que traz como seu vigário coadjutor Frei Efrem de Bellevaux. É Frei Efrem quem assume a direção e comando das obras já paralisadas há algum tempo. Assim que ele assume, já monta uma equipe técnica formada por construtores e artistas de grande competência para dar continuidade às obras.

Em 1904, suspenderam-se as obras da Catedral.

1907

Em meados de 1912, recomeçaram os trabalhos de construção da igreja.

Sob as observações de Frei Pacífico de Bellevaux, consertaram, então, as bases da Catedral, decidindo:

  • Modificar a estrutura do edifício, aumentando-lhe as dimensões, enquanto era tempo;
  • Estabelecer o financiamento da obra por meio de “peditórios”, festas beneficentes, etc.

A construção foi impactada por dois grandes eventos históricos mundiais: a Primeira Guerra Mundial e a Pandemia da Gripe espanhola de 1918.

1916 – Fonte: Gaúcha ZH

Artistas da Catedral – Em pé: Giovani Luigi Toigo (construtor da parte de alvenaria), Antônio Cremonese (pinturas artísticas) e pessoa não identificada. Sentados: Mário Zambelli (esculturas em gesso e cimento), Pe. Frei Efrem de Bellevaux (responsável pela construção) e Luigi Ferrazzi (marcenaria das portas, do batistério, do confessionário e outros setores.)

A construção foi impactada por dois grandes eventos históricos mundiais: a Primeira Guerra Mundial e a Pandemia da Gripe espanhola de 1918.

1919 – Tiro de Guerra. De fronte ao templo | Fonte: Acervo Adhemar Pinotti

Idealizadores e concretizadores da Catedral Nossa Senhora da oliveira: Pe. Frei Efrem de Bellevaux e Pr. Frei Pacifico de Bellevaux.

A igreja construída com uma rocha extraída de vários locais nos arredores de Vacaria, conhecida popularmente como “Pedra Moura”, é de rara e exótica beleza.

1919 – Tiro de Guerra. De fronte ao templo | Fonte: Acervo Adhemar Pinotti

Os capuchinhos obtiveram muito sucesso em contar com a colaboração do povo de Vacaria, que participou ativamente na missão de realizar a construção da igreja.

1934

Em 08 de setembro de 1934, a Igreja Nossa Senhora da Oliveira conquistou o título de Catedral, com a criação da prelazia Nossa Senhora da Oliveira, pelo Papa Pio XI, com a bula Dominici gregis dominici, desmembrada do território da Arquidiocese de Porto Alegre.

No final da primeira metade do século XIX, a propagação e a transformação moral da Restauração Gótica domina a história da arquitetura até o início do século XX.

1938 – Depois de 26 anos do início, a Catedral foi concluída, tendo como obra final a colocação de seu piso.

A Catedral Nossa Senhora da Oliveira é um dos mais significativos monumentos do patrimônio histórico local.

1965 – Uma das nevadas que marcou a história e a paisagem de Vacaria.

A Catedral no cenário da Praça General Daltro Filho na década de 1940 ( Barbosa, 1984)

A Catedral é um ícone que se mantém como fio condutor da transmissão dos signos e símbolos da evangelização católica pela qual passou a Vacaria do passado.

Buscava-se recriar o clima de cristandade fazendo recordar os tempos da Igreja medieval.

1952

Nicolau Chedid, após ter uma graça alcançada, doou a imagem de Nossa Senhora da Oliveira feita por Mário Zambelli, juntamente com o atelier Zambelli de Caxias do Sul. Foram eles os autores da marcante obra na história da Catedral de Vacaria.

A escultura de 10,8 toneladas e 5 metros de altura, foi colocada no topo da fachada em 1952.

No final de 2010, a imagem teve de ser retirada do alto da Catedral, pois seu peso estava causando rachaduras nas paredes centrais.

Atualmente a imagem encontra-se no lado leste da Catedral, entre a igreja e a casa paroquial.

Elementos de Planta

Imagem explicativa - Planta Catedral

O Tombamento do patrimônio Catedral Nossa Senhora da Oliveira foi realizado no ano de 2024 pela Prefeitura Municipal de Vacaria.

Caracterização Topológica

F01: Cogulho

Ramos de folhas ou de flores decoravam espiras, pináculos e outros elementos inclinados. O uso junto a formas verticais era raro.

F02: Contraforte

Massa de pedra ou tijolos construída contra uma parede ou que se projeta dela, de modo a conferir-lhe força extra.

F03: Entrada Pontiaguda

Presente na maioria das construções góticas, frequentemente profundas e preenchidas com grupos de pilares. O arco acima possui moldura que alterna formas arredondadas e entalhadas.

F04: Flecha

Estrutura piramidal ou cônica alta, que se adelgaça pronunciadamente, e que se eleva de uma torre.

F05: Lanceta

Janelas altas e estreitas, muitas vezes em pares ou trios, tem uma ponta no alto, em geral aguda.

F06: Pináculo

Torreta em geral decorativa que fica sobre a agulha, contraforte ou outra parte do edifício.

F07: Pináculo Cônico

Pináculo com desenho octogonal no topo de uma torre quadrada. Pode ser de alvenaria ou metal.

F08: Rosácea

Grande janela circular com traceria disposta como se fossem raios de uma roda. Comum em edifícios góticos.

F09: Tabernáculo

Recesso ou nicho dosselado cuja função é conter uma estátua.

F10: Tímpano

Espaço triangular circundado pela moldura do frontão.

F11: Torre Decorada

Exibe diversos itens típicos do gótico decorativo, como o pináculo agudo, disposição diagonal dos cantos e uso de muitos entalhes.

F12: Traceria

Ornamento de pedra trabalhada das janelas, painéis e telas góticos; também se refere à superfície das

F13: Traceria Cega

Elemento decorado somente com uso de pedras, dispensando vidros.

F14: Trevo

Três círculos incompletos criam um trevo. Quando em cúspides, são conhecidos como florete.

F15: Flor Com 4 Pétalas

Popular no gótico decorativo e no gótico perpendicular. Era fortemente usada para adornar arcos e outros elementos.

Análise Petrográfica

Aspectos Gerais:

Cor: marrom avermelhada com pontos esbranquiçados.

Estrutura: maciça, localmente fraturada.

Textura predominante: amigdaloidal.

Teste para ácido clorídrico: reativo nas fraturas.

Alterações principais: alteração de opacos (oxidação) e argilização.

Fotomicrografia 1 (em luz polarizada) mostrando aglomerados de plagioclásio intensamente intemperizados, alterados para mica branca e argilominerais.

Fotomicrografia 2 (em luz natural) mostrando o aspecto geral da amostra com matriz de grão muito fino (~0,01- 0,03 mm), composta essencialmente por plagioclásio e piroxênio. O aspecto marrom da matriz é consequência da alteração do vidro vulcânico.

Fotomicrografia 3 (em luz natural) exibindo o mineral opaco oxidado, alterando para goethita e as amígdalas ao redor estão preenchidas por zeólitas.

Fotomicrografia 4 (em luz natural) exibindo o mineral opaco oxidado, alterando para goethita na matriz.

Fotomicrografia 5 (em luz polarizada) exibindo duas vesículas parcialmente preenchidas com franja de argilominerais.

A rocha conhecida popularmente como “Pedra Moura” é, na verdade,

Basalto Amigdaloidal

Interpretação dos Dados:

Esta rocha vulcânica foi formada pelo extravasamento de lavas basálticas, solidificadas por brusco resfriamento, evidenciado pela textura muito fina. A matriz equigranular é composta por plagioclásio e piroxênios que cristalizaram simultaneamente.

Os aglomerados de fenocristais de plagioclásio (longitudinais ou em seção basal) são provavelmente formados em um processo um pouco mais longo de cristalização dessa rocha. Os aglomerados de plagioclásio estão quase totalmente substituídos por mica branca e argilominerais.

A magnetita (principal mineral opaco) está disseminada por toda a rocha e a cristalização ocorre por exsolução do Ferro, a partir dos piroxênios. A magnetita altera por intemperismo químico para hematita e goethita.

As amígdalas representam gases ricos em elementos voláteis que foram aprisionados nesse processo e cristalizaram relativamente em baixa temperatura, sendo preenchidas secundariamente por sílica e zeólitas, além de material carbonático nas fraturas e vesículas com franjas de argilominerais.

 

RESPONSÁVEL TÉCNICO

Vivianne Andrade Bastos – Geóloga – CREA RS255485

 

Verônica Di Benedetti – Arquiteta Urbanista, Restauradora, Mestre em Geociências pelo Depto de Geoquímica da UFRGS